sexta-feira, 10 de junho de 2011

JURISPRUDÊNCIA

02/06/2011 - 10h17

DECISÃO
Servidor que já cumpriu suspensão não pode ser demitido pelo mesmo motivo
Depois de cumprida a primeira punição pelo servidor público, é inadmissível uma segunda sanção mais gravosa pelos mesmos motivos, em razão da instauração de novo processo administrativo disciplinar (PAD). A decisão é da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em um mandado de segurança em que um defensor público da União questionou a demissão, aplicada pelo ministro da Justiça. 

A demissão ocorreu dois anos depois de ele já ter cumprido suspensão de 90 dias. O corregedor-geral da União aconselhou a anulação do primeiro PAD por vícios insanáveis e a constituição de novo processo, que acabou por gerar uma sanção mais grave. Entre os vícios apontados, estava a participação na comissão disciplinar de servidor não estável no serviço público. 

Segundo o relator, ministro Castro Meira, o poder de autotutela conferido à Administração implica uma obrigação de sanear os vícios e restabelecer o primado da legalidade. Não obstante a regra geral, há fatores excepcionais que inibem a atuação da Administração. 

Essas hipóteses extraordinárias, de acordo com Castro Meira, visam dar estabilidade jurídica aos administrados e impedir que situações já consolidadas possam vir a ser modificadas, ou eivadas de subjetivismo. A Lei n. 8.112/1990 permite a revisão do PAD em algumas situações, mas, da revisão, não pode surgir uma penalidade mais grave. 

“Findo o processo e esgotada a pena, beira o absurdo que, por irregularidade para qual o impetrante não contribuiu e que, no final das contas, sequer foi determinante ao resultado do PAD, a Administração Pública ignore o cumprimento da sanção, promova um rejulgamento e piore a situação do servidor público, ao arrepio dos princípios da segurança jurídica e da proteção à boa-fé”, afirmou o ministro. 

Quanto à alegação de incompetência para aplicar a sanção, a Primeira Seção definiu que o artigo 1º do Decreto n. 3.035/1999 delega competência aos ministros de Estado para julgar processos administrativos disciplinares e aplicar a pena de demissão a servidores públicos. A ressalva se aplica somente à destituição relativa a cargos em comissão de elevado nível hierárquico na escala administrativa, conhecidos como CNEs, que não era o caso do defensor. 

Coordenadoria de Editoria e Imprensa 

sábado, 4 de junho de 2011

Guarda Municipal de BH vai usar armas a partir de julho


Trezentos revólveres e 50 pistolas ficarão à disposição de 350 agentes , cujo porte já está sendo confeccionado




EMMANUEL PINHEIRO
armas
Guardas municipais fizeram protesto na noite de quinta-fera, após uma viatura ser atingida por tiros



Até 15 de julho, após mais de oito anos de expectativa, os guardas municipais de Belo Horizonte terão permissão de portar armas de fogo. São 300 revólveres calibre 38 e 50 pistolas 380 para ajudar na proteção patrimonial.

O porte de arma já está em fase de confecção, segundo o comandante da corporação, coronel Ricardo Belione. Do total de 1.800 guardas, cerca de dois terços (1.200) estão aptos a atuar armados.

Eles já receberam treinamento da Polícia Militar, se submeteram a testes psicológicos, investigação social e curso de tiro, requisitos do Estatuto do Desarmamento. No entanto, apenas 350 deles – os que atuam em postos de saúde e escolas em áreas mais críticas – portarão revólveres e pistolas semiautomáticas.

O armamento a ser usado pela Guarda, incluindo 13.382 munições, foi comprado em 2006, ao custo de R$ 900 mil, e está sob a responsabilidade da Polícia Militar em um batalhão, que não foi divulgado.

O comandante também revelou que a corporação receberá 500 tasers (armas de choque não letais), fruto de um convênio com o Ministério da Justiça. A arma é a mesma a ser usada pela Guarda Municipal de Uberaba, no Triângulo Mineiro.

Entretanto, a Polícia Federal em Minas informou que ainda não concedeu autorização para a Guarda Municipal de Belo Horizonte atuar armada. Para que isso ocorra, o município precisa comprovar que atendeu todas as exigências previstas em um convênio entre a corporação e a PBH. Entre eles, o teste de aptidão e de psicotécnico. Mas a documentação ainda não chegou à PF.

No início da noite da quinta-feira, cerca de 60 guardas municipais fizeram um protesto pela concessão do porte de arma diante da sede da corporação, na Avenida dos Andradas. Um ataque a uma viatura motivou a manifestação. O veículo foi atingido por tiros no Bairro 1º de Maio, Região Norte da capital. Quatro guardas municipais que estavam no local no momento do ataque não ficaram feridos.

Belione avaliou que houve precipitação dos manifestantes, uma vez que o processo de concessão de porte está na fase final. O comandante informou que todos os participantes do movimento serão alvo de processos administrativos.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

TV Alterosa | Guardas Municipais pedem armas em BH

TV Alterosa | Guardas Municipais pedem armas em BH

Guarda municipais reivindicam liberação das armas de fogo em protesto

Manifestação foi motivada por atentado a uma equipe de guardas no parque ecológico do Bairro 1º de Maio

Publicação: 03/06/2011 08:01 Atualização: 03/06/2011 08:16
Depois de atentado os guardas fizeram manifestação em Belo Horizonte (Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press. Brasil)
Depois de atentado os guardas fizeram manifestação em Belo Horizonte
Um suposto atentado a tiros contra uma equipe de guardas municipais de Belo Horizonte resultou num protesto da categoria. Dezenas deles se reuniram na noite de quinta-feira em frente à sede da corporação, na Avenida dos Andradas, no Centro da capital. Eles reivindicavam a liberação das armas de fogo para atuarem nas ruas, além da implantação do plano de carreira. O armamento da Guarda Municipal foi comprado em 2006, mas nunca foi usado.

Wellington Cesário, que preside a associação dos guardas municipais de BH, questiona a demora para implantação do grupo armado. “São 300 revólveres calibre 38 e 50 pistola 380 que estão guardados. Nem o porte de armas é dado aos guardas, que trabalham sob o risco de agressões como a de hoje (ontem)”, reclamou.

Segundo Cesário, três guardas trabalhavam no parque ecológico do Bairro 1º de Maio, na tarde de quinta, quando, no horário de fechamento, foram hostilizados por alguns adolescentes que não queriam deixar o local. Os rapazes saíram, mas retornaram momentos depois e disparam três tiros, que atingiram as duas janelas traseiras da viatura, que estilhaçaram.

O comandante da Guarda Municipal, Ricardo Belione Menezes, disse que foram adotadas as providências para apurar o atentado a tiros, o primeiro do gênero contra uma equipe da corporação. Ele, porém, alertou que não há confirmação de que os vidros foram quebrados por tiros. 

Menezes acrescentou que, num primeiro momento, não terá reforço da equipe que atua no parque e nem mesmo solicitação para que militares armados acompanhe seu pessoal. Quanto à liberação das armas para os integrantes da corporação, ele garantiu que o processo, depois de questionamentos na Justiça, está em andamento, e nos próximos meses as primeiras armas serão entregues para atuação em campo.